Bushido é um termo japonês que significa “ o caminho do guerreiroâ€. Era o código de honra dos samurais que constituÃram uma casta nipônica no perÃodo de
Historiadores e estudiosos da cultura japonesa afirmam que o referido código foi criado pelo espadachim Miyamoto Musashi e se caracterizava pelo respeito total ao “ seu senhorâ€, do qual recebiam ordens. Os samurais tinham um completo desapego pela vida.
A essência filosófica das artes marciais japonesas reveste-se de alta grandeza.
Em sua maioria, levam o termo do que significa “caminhoâ€, numa linha espiritual, procurando levar o guerreiro ao auto-conhecimento, moldando-o internamente. Dentro desta visão estão o karatê-do, judô, Aikido, kendo, kiudo, etc
O bushido não tem um valor escrito e sim, essencialmente, vivido e sentido, dando a quem sente uma plena fundamentação interior, impossÃvel de ser explicando através de palavra. Haja vista que o burilamento do espÃrito é algo individual, indo além dos nossos conceitos cartesianos e positivistas.
A melhor conceituação que se  poderia dar, seria uma série de princÃpios morais que os guerreiros tinham que observar no seu dia-a-dia, em todos os momentos da vida. Existindo, graças as experiência militares nipônicas, acopladas dos conhecimentos filo-religiosos do Budismo.
A palavra samurai deriva do verbo saburau, que tem o significado de “servirâ€. No inicio, era usado para designar pessoas que estava um pouco acima dos serviçais domésticos. Posteriormente, foi usado para qualificar os membros das classes de guerreiros nas provÃncias. A partir da idade Média, os samurais passaram a ser membros da classe dirigente.
Os samurais possuÃam um completo equilÃbrio com a natureza, tendo em sua formação amplos conhecimentos de literatura,artes, filosofia e medicina, aliados aos estudos de espadas, manejo do arco e da flecha, artes marciais (jiu jitsu e yamara), equitação, uso de lanças, caligrafia e outros predicados que serviam para completar o seu desenvolvimento psicobioespiritual (corpo,mente e espÃrito).
A equitação era uma das habilidades obrigatória dos samurais, visto que estes usavam muito o cavalo e estava sempre armados com espadas. Nesse perÃodo, a espada ainda não era uma arma de muita confiança para os samurais. Somente no século seguinte que ela passou a ser a sua arma principal. As mais famosas espadas dos samurais foram produzidas no século X, constituÃdo-se em bens de heranças dos chefes do clã de Minamoto.
Tais espadas eram famosas pelas lâminas afiadas que tinham, pois ao serem usadas para decapitar alguém que estivesse ajoelhado, cortavam-lhe o pescoço, a barba e até os joelhos. Devido a isso, tal arma era apelidada de “corta joelhos†e “corta barbaâ€
No código dos guerreiros, eram comuns o harakiri (rasgar o ventre) e o seppuku ( que consistia no suicÃdio com honras).
Quebrando a honra, o samurai para se redimir da falta e recuperar a moral social, suicidava-se, praticando o harakiri, ou ainda, lhe era permitido ser queimado vivo para se juntar ao deus da morte.
O harakiri foi uma pratica comum no passado nipônico, principalmente na segunda metade do século XI, durante as lutas dos clãs de Taira e Minamoto. Segundo os estudiosos, o primeiro samurai a participar o seppuku, foi o poderoso lutador Tametomo Minamoto, no ano 1170.
Ao samurai era obrigatório praticar o harakiri nos seguintes casos: 1) para evitar a captura  em uma batalha. 2) Expiar um ato indigno. 3) Admoestar seu senhor.
A partir do século XVII, depois de terminado o estado de guerra, o seppuku passou a ser uma sentença de morte, normalmente aplicada aos samurais por faltas graves.
O harakiri tinha um ritual que era feito assim: dava-se um golpe com punhal no lado esquerdo do abdômen, rasgando-o na parte horizontal. Ocorrendo, em seguida, um golpe com uma espada no pescoço da vitima, decapitando-a porém tomando o cuidado para que a cabeça não se desprendesse totalmente do corpo, ficando, isto sim, presa por pedaço de carne e pele . Assim, evitava-se que rolasse no chão.
O fortalecimento espiritual do samurai era feito pela pratica do zenbudismo, introduzido no Japão pelos chineses no final do século XII. O zen que podemos traduzir como “meditação†, valoriza as faculdades intuitivas, o autocontrole e a disciplina, afastando dos seus princÃpios o racionalismo e insistindo em que a ação deve vir da emoção.
O zen devido a estas caracterÃsticas, mostrou-se adequado ao samurai na Idade Media, que vivia na violência e na expectativa da morte, proporcionando-o, assim,condições para espontaneidade na conduta e tranqüilidade do ser.
O zen no Japão se assemelha ao método da meditação do yoga indiano, caracterizando-se pela tentativa da parada das ondas mentais, permitindo ao seu praticante o completo controle da mente, cujo método de contemplação é o  ultimo fim. Permitindo uma penetração da essência de todos os fenômenos, entrando-se em contato direto com o absoluto, unido-se ao universo cósmico.
Não foi somente aos samurais que o zen influenciou. Toda a cultura marcial japonesa tem suas raÃzes nestes princÃpios essenciais para a transcendência do ser humano. O zen nos coloca como parte de um todo cósmico e espiritual.
José Augusto Maciel Torres é Presidente da Confederação Brasileira de Karate de Semi-Contato,escritor especializado em artes marciais e faixa preta,sexto Dan,em karate.
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